4 de agosto de 2019

QUERO MEDITAR; MAS, NÃO CONSIGO!




HUMBERTO J. MENEGHIN


Mais comum do que se pensa é encontrar alguém que quer meditar, mas diz que não consegue. Não consegue porque mesmo tendo conhecimento de uma técnica, não encontra tempo para meditar. Ou, ao tentar meditar algo incomoda e logo desiste. Ou, ainda, mesmo usando um app preparado para induzir ao estado meditativo, o praticante acaba dormindo. Ou não consegue meditar porque simplesmente não sabe como começar a meditar. Sem contar também aqueles que já fizeram um curso presencial para aprender a meditar, pagaram muito caro por isso e nada de meditar. Então, o que falta para esses praticantes realmente meditarem?


Disciplina e força de vontade, o hábito. E ainda, uma boa e eficiente orientação de um prodissional qualificado em transmitir com didática e seriedade as técnicas e dicas de como se dedicar ao processo meditativo de modo eficaz e contínuo, mudando o que se pode mudar quando o momento pede. Sim, é verdade.


No entanto, o praticante pode ter o seu tempo, alguma técnica; mas, na hora que se recolhe para tentar meditar sente-se muito incomodado, ainda inquieto, envolvido em pensamentos que vem e vão, que por sinal é muito comum àqueles que se inciam em um dos caminhos para meditar.


Adicionado a isso, a forma como está acomodado o perturba, aquela dor nas costas ou num dos joelhos persiste; ou, ainda, a rua lá embaixo é muito movimentada e o trânsito incomoda especialmente o barulho feito pelas motos dos entregadores de comida que passam em alta velocidade.


No entanto, uma praticante de jeito nenhum encontra nem cinco minutos ao dia para por em prática uma técnica de meditação que aprendeu com um amigo Zen. Ela não cuida da casa, tem até um padrão de vida adequado, estando empregada, trabalhando em um bom lugar, sem muitas preocupações; mas, o tempo parece escorrer por entre os dedos das mãos e quando vai ver já está indo dormir, após passar vários minutos pregada à tela do smarphone. Não achou o seu tempo para meditar, pois não considera uma prioridade.


Curiosamente, sabendo que alguém é professor de Yoga com quem já praticou anteriormente, mas parou por “falta de tempo”, tendo aprendido com esse professor algumas técnicas de meditação, resolveu baixar um app e pô-lo para conduzí-la a meditar no conforto do seu próprio lar. No entanto, confessou diretamente ao outrora professor que mesmo com o auxílio do dito app, não consegue ouvir até o fim as instruções e acaba dormindo.


Paralelamente, outro praticante viu e anda lendo num website paulistano de amplo destaque nacional e internacional diversas matérias sobre mindfulness, a meditação da moda, aquela da atenção plena há muito praticada pelos buditas e então se interessou em querer meditar; mas, a coisa não engata, porque não sabe como começar, mesmo seguindo algumas instruções descritas nas matérias que leu, como por exemplo, ficar prestando a atenção na respiração.


Mesmo assim, ainda há aqueles que participam de um curso de meditação extensivo, com a duração de seis meses, pagando mais de mil reais, para aprenderem a meditar. Recebem um material até que bom, mas não tão profundo assim, semanalmente comparecem às aulas práticas e até contam com algumas gravações suporte para seguirem em casa.


E assim vai, durante o meio ano, notam uma boa diferença na qualidade de vida; mas o curso acaba. O curso termina, a vida cotidiana segue e aquela motivação para continuar meditando não fica! Parecia meditar enquanto estava no curso, mas agora que o curso acabou não consegue mais “meditar”! Será que o curso foi bom ou meditar não é tão fácil assim como dizem?


Existem os que meditam há muitos anos e continuam na jornada. No entanto, alguns outros desistiram por algum tempo e retornaram; retornaram com mais vontade ainda em continuar em seu sadhana.

Harih Om!

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