1 de janeiro de 2018

A DISCIPLINA DO “JAPA”



HUMBERTO J. MENEGHIN


Muitos até podem ter aversão à palavra disciplina, porque logo a associam a obrigação de fazer algo sem que se tenha vontade; no entanto, ter disciplina, ser uma pessoa disciplinada sem exageros tem o seu lado bom. E, uma dessas boas disciplinas está na prática do japa, a repetição de um mantra usando um mala, um rosário de contas feito com sementes de rudrashkas.


É verdade que muitas pessoas podem não ter o rosário indiano feito das lágrimas de Shiva; no entanto, estão bem livres para fazer a repetição de um mantra sem esse instrumento, o mala.


Cento e oito contas, cento e oito repetições de um mantra como On Namah Shivaya, por exemplo, para manter longe aquele macaco que está na mente que pula de galho em galho envolto em distrações externas e internas.


Mas, fazer um mantra por cento e oito vezes? Parece desestimulador para alguns, principalmente para aqueles que passam horas e horas conectados a um smartphone.


Pois é, ela ganhou um japa mala da amiga que trouxe da Índia e lhe deu de presente e aprendeu como posicionar os dedos entre as contas, soube de um bom mantra, percorreu as cento e oito contas algumas vezes por certos dias; mas, logo desistiu e deixou o mala de lado, esquecido dentro de uma gaveta do armário; porque entre um corre corre e outro, o tempo ficou escasso, não sobrou para algumas coisas que acha importante na vida e muito menos para o ajapa japa.


Se você cronometrar no relógio quanto tempo vai utilizar para fazer uma repetição de determinado mantra usando um rosário indiano percorrendo as cento e oito contas, verá que leva apenas dez minutos ou até um pouco menos. Então, por que motivo alguém não pode dispor de dez minutos diários para tentar meditar com um mantra?


Cento e oito vezes é muito, acha o cérebro e então a motivação vai embora e o mala que não é uma mala de viagem ou alguém chato, não se faz. Então, o que alguém interessado na prática do Yoga, no estudo e meditação poderia fazer para reestabelecer a disciplina do japa?


Fazê-lo por menos vezes, quem sabe repetir o mantra apenas oito vezes, mas que essas oito vezes sejam diárias, sem faltar um dia, o que não vai roubar o tempo de ninguém.


E, então, a disciplina começa a se construir, porque o mantra se estabiliza e vem automaticamente todos os dias, até mais de uma vez para até aumentar a frequência, sem se sentir forçado a nada e nem que esteja perdendo o seu precioso tempo.


E aí, o mantra está lá conectando a mente ao Ser, num processo de concentração levado a  um momento que se transforma em meditação.


A disciplina se formou, o hábito se cristalizou e ainda parece até que outras coisas mais na vida também se organizaram e se disciplinaram. E, olhando para trás, o que parecia uma obrigação sem qualquer atrativo, já não o é mais.

Harih Om!

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