11 de junho de 2012

YOGA “WARRIORS”: A PRÁTICA DOS MILITARES

HUMBERTO MENEGHIN


Ser convocado para o campo de batalha não é tarefa fácil para ninguém, mas quando um soldado que passou pelos inúmeros reveses que uma missão lhe causou retorna ao convício social é comum que traga consigo marcas que dificilmente serão apagadas. Dentre os distúrbios mais comuns que os soldados de guerra apresentam, sejam da marinha, exército ou aeronáutica, estão aqueles relativos ao estresse de combate e estresse pós-traumático.



Não é de hoje que a humanidade está envolvida como batalhas sejam elas perenes ou constantes, que na maioria das vezes poderiam ser resolvidas de uma forma pacífica, o que infelizmente não ocorre. No entanto, para aqueles que já deram a sua contribuição nessas batalhas ou missões e delas saíram com deficiências marcantes que afetaram o físico, mental e emocional, existe um tipo de prática de ásanas de Yoga, na verdade uma seqüência, que especialmente foi criada para todos aqueles que sofrem de algum tipo de estresse de combate ou pós-traumático. Essa modalidade se chama Yoga “Warriors”, ao pé da letra, Yoga para guerreiros, desenvolvida por Yoga Terapeutas e Terapeutas Ocupacionais com fundamento no Hatha Yoga e nas técnicas de Terapia Ocupacional.

 


Sob pressão, devido ao aumento das exigências mentais e emocionais que ocorrem por meio de uma resposta tipificada como “lutar ou fugir”, reação do sistema nervoso autônomo a uma situação de perigo, aqueles que já estiveram pelo campo de batalha e ainda aqueles que lá permanecem são extremamente afetados nos momentos menos esperados.

 

Sem enfatizar qualquer vínculo com os virabhadrasanas que conhecemos, o Yoga para militares, pode ser praticado pelas pessoas que também passam ou passaram pela mesma situação. Conforme consta a prática é suave e tem a finalidade restabelecer a força, a flexibilidade, o equilíbrio, além proporcionar as benesses do relaxamento, permitindo que sejam atenuadas as marcas do estresse de combate e pós-traumático.

 

Abordando diretamente essa reposta de “lutar e fugir” que está no cerne do problema de quem passa por esses distúrbios, o Yoga para militares pode estar contribuindo para que esses padrões sejam diluídos paulatinamente possibilitando que os praticantes respondam de uma forma pacífica as situações de ameaça que acham que ainda vivenciam.

 

Começando a se aceitar e tendo definido que aquelas situações que causavam o desencadear de memórias que induziam a um estado de agressividade e medo, o praticante se sente mais equilibrado, seguro, consciente do Ser e passa a compreender as emoções que nutria relativas à culpa, à vergonha, à raiva, à ansiedade, à depressão, à tristeza e à paranóia; criando, assim, novas memórias corporais.

 




Um estudo publicado este ano (2012) pelo American Journal of Occupational Therapy atestou que o Yoga reduz os sintomas relativos ao estresse de combate e ao estresse pós-traumático. Esse estudo foi realizado entre os militares americanos em serviço militar ativo no Iraque. Os pesquisadores aplicaram em trinta e cinco militares da Força Aérea e do Exército Americano, nove sessões da técnica Yoga “Warriors”, ou seja, Yoga para guerreiros, durante três semanas e este grupo foi comparado a um grupo de trinta e cinco outros que não receberam qualquer terapia.



 

Logo após, analisadas as anotações diárias do grupo que praticou, foram realizados testes que avaliaram as respostas emocionais dos participantes, o que demonstrou a eficiência da técnica de Yoga “Warriors” no que concerne a uma melhora significativa na saúde mental e na qualidade de vida; o que, no entanto, não ocorreu com o outro grupo que não aderiu a essas ações.

 

Além disso os praticantes que passaram pelas práticas de Yoga “Warriors” relataram uma melhora no sono, perceberam uma sensação de calma que antes não experimentavam, que veio acompanhada da redução da raiva.

 

Validando os conceitos e práticas do Hatha Yoga agregado à Terapia Ocupacional o Yoga “Warriors” parece estar fazendo a sua parte, adaptando e trazendo de volta à realidade aqueles que passam ou já passaram por qualquer tipo de distúrbio causado seja no campo de batalha ou não; o que também não deixa de ser um tipo de liberação.

 

Harih Om!

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