17 de abril de 2013

SWAMI DAYANANDA: TUDO SOBRE OS VEDANTA CAMPS I E II, EM RISHIKESH, ÍNDIA, 2013 – YOGA EM VOGA ESTAVA LÁ




HUMBERTO MENEGHIN


Todos os anos, quando o mês de fevereiro se aproxima, centenas de pessoas que buscam conhecimento Védico na sua mais pura essência vão para Rishikesh, Índia, para participarem de pelo menos um dos concorridos Vedanta Camps ministrados pelo H.H. Swami Dayananda Saraswati. Muitos podem achar inviável se empenhar numa viagem tão longa até o Subcontinente apenas para estudar Vedanta, em especial quando o estudante vem do exterior; no entanto, para os que têm a grande dádiva de participar de um desses Camps, a longa distância percorrida não é um obstáculo. Neste ano de 2013, os Vedanta Camps liderados pelo Swami Dayananda Saraswati se iniciaram excepcionalmente em março, no dia treze, seguindo até o dia quinze de abril.







Em número de quatro, os Camps, cada um com sete dias de duração, tiveram os seguintes temas: Two Lifestyles (Dois Estilos de Vida), Bringing Vedanta into Living (Trazendo o Vedanta na Vida), Only God (Apenas Deus), e Tattvamasi, respectivamente.






CAMP no.
DATE
TOPIC
1
(7 days)
March 14th - March 20th 2013
Two Lifestyles
2
(7 days)
March 23rd - March 29th 2013
Bringing Vedanta into Living
3
(7 days)
April 1st - April 7th 2013
Only God
4
(7 days)
April 9th - April 15th 2013
Tattvamasi





A VIAGEM ATÉ RISHIKESH



Ir até Rishikesh para quem vem de longe, em especial do Brasil requer um certo jogo de cintura. O primeiro passo é se inscrever em um ou mais Camps que se quer participar. Usualmente esta inscrição é gratuita e é feita através do site do próprio ashram, em meados de setembro, quando se iniciam: http://www.dayananda.org/index.html; no entanto, para os Camps de 2013 houve a possibilidade de se inscrever apenas para um deles devido o grande número de interessados. Mesmo assim, muitos que realizaram várias inscrições, em separado, para cada um dos Camps disponíveis, conseguiram participar de todos eles.


Após as aprovações das inscrições cujos comunicados são recebidos via e-mail pelo estudante, o próximo passo é comprar a passagem aérea e uma boa pesquisa em sites de vendas de bilhetes aéreos e até mesmo junto a um agente de viagem especializado é recomendável antes da decisão final, que envolve o melhor custo e benefício.








Porém, em conjunto com essa providência, ainda é viável verificar se o passaporte e o Certificado Internacional da Vacina contra a Febre Amarela estão em dia para o estudante solicitar o visto para entrar na Índia junto a um dos Consulados ou Embaixada, o que demanda certa burocracia:www.indiaconsulate.org.br


Há várias rotas aéreas para se chegar à Índia: via Europa, África do Sul ou Emirados Árabes. Considerando o melhor custo benefício e a boa eficiência da empresa aérea, a companhia que é baseada nos Emirados Árabes usualmente é escolhida por vários estudantes.


Voar de São Paulo ou do Rio de Janeiro para Dubai leva praticamente quatorze horas, numa viagem que parece nunca terminar. Chegando lá num final de noite, o estudante em trânsito está pronto para esperar de cinco a seis horas no grande aeroporto-shopping até embarcar no voo para Nova Delhi, que geralmente sai às quatro da manhã, para em mais três horas desembarcar na capital da Índia.


O aeroporto internacional Indira Gandhi, em Delhi, surpreende por apresentar um Terminal novo e moderno, o que não o era há cerca de seis anos passados, deixando aeroportos do Brasil bem para trás.


Realizado o desembarque da aeronave o estudante segue para imigração, apresenta o formulário preenchido que recebeu no avião em conjunto com o passaporte e então sua aprovação para entrar na Índia é autorizada. O passo seguinte é pegar a bagagem na esteira, trocar algum dinheiro em um bureau de câmbio e deixar o aeroporto.


A primeira coisa que o estudante muito cansado deseja após longas horas de viagem para a Índia é um bom chuveiro para tomar um banho bem demorado e relaxante. E, então, a opção de ir para o Terminal doméstico, que é parcialmente longe do Internacional para embarcar para Dehradun, cidade cujo aeroporto é próximo a Rishikesh, fica definitivamente descartada para este primeiro dia; pois, a melhor coisa indicada para diluir o cansaço e parte do jetlag é pelo menos se dar ao luxo a uma hospedagem num hotel cinco estrelas, nas proximidades do aeroporto ou até mesmo ficar alguns dias em Delhi antes de decidir chegar em Rishikesh a tempo para participar dos Camps de Vedanta com o Swami Dayananda.


Logicamente o estudante que assim decidiu já fez uma reserva no hotel dos sonhos, via booking ou outro site que ofereça este serviço de reservas. Então, se isso o fez, alguns hotéis providenciam motorista com carro particular para pegar e levar o hóspede para do aeroporto para o hotel e vice-versa, sem custo adicional, mediante reserva. É o que faz o Radisson Blu Plaza.


Após uma primeira noite em Delhi ou alguns bons dias para visitar a cidade, nesta opção ficando num hotel mais centralizado, alguns estudantes podem decidir ir para Rishikesh por trem, parando na estação de Haridwar, uma viagem longa, cansativa e conturbada, que posteriormente demandará transporte terrestre até o ashram para concluir o trajeto.


Outros até arriscam ir de ônibus ou táxi; no entanto, pagando cerca de cento e sessenta reais o estudante mais precavido tem um bilhete aéreo, ida e volta, pela empresa Spice Jet para voar até Dehradun, o que poderá levar menos de uma hora, e posteriormente pegar um táxi até o Ashram do Swami Dayananda, em Rishikesh, por mais meia hora: www.redchilliadventure.com





CHEGANDO AO ASHRAM








Chegando ao ashram, o estudante deve se dirigir até o office, ou seja, o escritório, para registrar a presença e receber a chave do quarto onde irá ficar hospedado durante os Camps. Após fotocopiarem o passaporte do estudante e este ter preenchido um livro registro e outro formulário da polícia local, o recém chegado ao Ashram do Swami Dayananda Sarawasti poderá se dirigir a seu dormitório. O horário de atendimento do Office é das 8:00 às 12:00 e das 15:00 às 19:00 hrs, apenas.











A HOSPEDAGEM







A maioria dos que ficam para mais de um Camp se hospedam no bloco K, um conjunto de apartamentos com dois andares, a certa distância da sala principal onde são realizadas as palestras dos Camps. No entanto, para os que ficam apenas para um Camp, um outro conjunto de apartamentos mais próximo, que dizem ser melhor conservado, está disponível. Contudo, para ambos os tipos de dormitórios os hospedes terão que fazer uma boa faxina antes de ocupá-los como se em casa estivesse. Para isso, muitos estudantes se dirigem a algumas vendas próximas para comprarem produtos para limpeza como desinfetantes, vassouras, rodos, papel higiênico, etc.










Uma coisa boa em relação a estes dormitórios é que há lençóis limpos nas camas. Porém, muitos preferem trazer seus próprios lençóis para usar durante os dias que estiverem dormindo por lá. Já em relação ao banheiro do dormitório, muitas vezes o aquecedor, boiler, não funciona e o estudante terá que se acostumar a tomar banhos gelados, caso a assistência técnica não compareça para arrumá-lo. Mas, se o estudante dividir o aposento com outra pessoa, o mais indicado é tomar os banhos em horários bem espaçados para que ambos possam usufruir da água quente, pois do contrário a água aquecida só dará para uma pessoa.









Alguns estudantes usam a cozinha que há em alguns dos dormitórios, contudo, não há fogão, nem geladeira e muito menos pratos e talheres, resumindo-se apenas numa sala com uma pia e nada mais.








Mesmo que aparentemente o lugar onde ficam localizados os dormitórios seja seguro, inclusive contando com um segurança, é recomendável o estudante manter a porta do quarto sempre fechada com o cadeado.




NOS ARREDORES DO ASHRAM









Logo em frente ao portão principal do ashram, pela esquerda, existe um caixa eletrônico, ou seja, uma máquina ATM que algumas vezes não é devidamente abastecida e aquele que experimenta sacar algum papel moeda pode não receber o que lhe é devido. Então, a melhor opção acaba sendo ou se dirigir a uma agência bancária ou trocar dólares ou euros numa das lojas de comércio de Ram Jhula ou Lakshman Jhula.


Seguindo mais adiante pela rua que continua da frente do portão principal do ashram, pelo lado esquerdo, há uma pequena venda onde muitos estudantes dos Camps se concentram para comprar uma mercadoria de utilidade imediata ou para tomar um café ou chai. No entanto, não espere encontrar preços convidativos, pois muitos dos produtos podem custar o mesmo do que se cobra em supermercados do Brasil e se houver algum que custe menos é lucro.


Não é recomendável consumir o pão com manteiga e/ou queijo preparado nesta venda, pois além de o recheio ser muito pouco, quase que imperceptível, custando quarenta rúpias dois pães, cerca de dois reais, quem prepara este sanduíche sempre está a vias de receber o dinheiro dos fregueses e dar o troco enquanto esquenta o pão na chapa. 








Se o estudante quiser ir para a rua principal de Rishikesh, ou seja, a rua do mercado, Ram Jhula ou Lakshman Jhula, poderá pegar um dos rickshaws que fazem ponto em frente ao portão do ashram. No entanto, é muito recomendável combinar o preço antes, pois o preço poderá sair mais de cem rúpias, cerca de quatro reais. Mas, se o estudante quiser poderá seguir pela rua em frente e numa caminhada de dez minutos alcançar a estrada principal onde poderá pegar um rickshaw coletivo que cobrará apenas cinco rúpias para Ram Jhula e dez rúpias até Lakshman Jhula, compartilhando o veículo de uma forma bem coerente com os locais, o que pode ser uma boa experiência.


No entanto, se quiser ir a pé para Ram Jhula, poderá seguir pela margem do Ganges, que é pavimentada e mais limpa do que caminhar pelas ruas dos arredores onde o esgoto está a céu aberto, há moscas e lixo. Para ir até a rua do mercado, também poderá alcançar a estrada principal, a pé e depois seguir pela a esquerda atravessando uma ponte e pronto. Isso pode levar de quinze a vinte minutos. Por lá poderá encontrar estabelecimentos de comércio variado, no entanto é altamente recomendável tomar muito cuidado com o trânsito, que segue a mão inglesa, onde os sons das buzinas imperam. Neste market, o estudante poderá encontrar noutras vendas uma maior variedade de produtos de utilidade necessária para compra, incluindo cremes para hidratar os pés com calcanhares rachados, o que acontece muito por lá apesar da unidade provinda do rio Ganges.


Por andar muito descalço nas dependências do ashram, o estudante poderá notar que os pés ficam sujos com facilidade; então, a recomendação é lavá-los sempre que retornar ao dormitório. E, ainda, poderá aplicar a mesma ação ao chinelo que usa e de vez enquanto a outro calçado com o qual reservou para andar pela cidade.





O REFEITÓRIO








A melhor forma de se fazer as refeições no refeitório do ashram, ou seja, tomar o café da manhã, almoçar e jantar é decorar os horários e estar pela porta do restaurante no mínimo quinze minutos antes de abrirem, pois se os presentes nos Camps forem em grande número o estudante que está com fome terá que enfrentar uma longa fila até receber a comida. No entanto, muitos esperam até ouvirem um sinal, as batidas num pedaço redondo de metal pendurado pelo jardim, que alguém dá anunciando a abertura do refeitório para as refeições.









Antes de entrar, todos retiram os calçados que ficam acomodados do lado de fora e então seguem para uma das duas estações de comida onde sevas doam seu tempo para servirem o alimento aos estudantes.










As refeições oferecidas no ashram, na maioria das vezes patrocinadas por pessoas de bons corações, são obviamente indianas e surpreendentemente de boa qualidade, sem qualquer exagero com a pimenta que pode ser adicionada a gosto do freguês para dar um toque a mais no sabor. Não há refrigerantes, algumas vezes um leve iogurte está disponível e durante os intervalos das aulas pode-se provar do chai.










Servido da refeição, o estudante irá ocupar uma das grandes mesas onde poderá ter a companhia de muitas pessoas diferentes, no dia a dia, ou esporadicamente daqueles com quem mais se comunica durante o Camp, semelhante atrai semelhante. No entanto, antes de dar a primeira garfada, todos tem que aguardar os mantras que abençoam o alimento terminarem de serem entoados por um voluntário ou voluntária, em bom tom de voz, que vem de uma caixa de som.















Numa sala mais interna que também é parcialmente ocupada pelos estudantes, o Swami Dayananda e os demais Swamis lá compartilham das refeições. Outros mais podem dispensar as mesas e tradicionalmente sentarem-se ao chão e comerem com as mãos.



Alguns estudantes demonstrando não ter nenhuma tolerância às refeições que são oferecidas preferem almoçar fora, em restaurantes localizados em Ram Jhula ou Lakshman Jhula. Por vezes, preparam noodles em seus dormitórios fazendo uso de uma chaleira elétrica para aquecer a água.










Terminada quaisquer das refeições, os estudantes se dirigem às pias disponíveis para lavarem o prato-bandeja, copo e colher para posterior uso; no entanto, alguns locais podem não lavar como deve os referidos acessórios; e, então, certos estudantes preferem ter a sua própria bandeja e talher para uso contínuo ao invés de usarem as que estão disponíveis.


No café da manhã, para quem pretende apenas se servir do café com leite sem açúcar, leite quente ou chai, dispensando os demais alimentos, poderá de uma forma discreta passar na frente de todos que estão pela fila seguindo pela porta do corredor lateral do jardim e no final da mesa onde é oferecida a refeição matinal pegar o café com leite sem açúcar, o leite ou chai que estão disponíveis em alguns recipientes.





ÁGUA PURIFICADA



Ao lado do office, existe dois grandes reservatórios onde a água é devidamente esterilizada e/ou ionizada para consumo gratuito dos que quiserem. Não se sabe de ninguém que tenha passado mal por consumir desta água, muito pelo contrário; contudo, alguns estudantes preferem comprar praticamente o mesmo tipo de água, purificada, que é vendida numa das vendas nas proximidades do ashram.










LIVRARIA



Localizada frente ao office e aos reservatórios de água, a livraria do ashram oferece muitos livros úteis de autoria do Swami Dayananda e de outros escritores que tem a finalidade de complementar o estudo  de Vedanta. Com títulos variando entre sessenta e duzentas rúpias, a livraria do ashram também oferece para venda uma grande variedade de CDs e DVDs que contém gravações valiosas de palestras e ensinamentos proferidos pelo Swami Dayananda em Camps posteriores. 









Malas para meditação, postais, rudraskas e gravuras de algumas deidades e do Swami Dayananda e a coleção em nove volumes impressos para estudar a Baghavad Gita, home study, também estão disponíveis para venda.




OS ESTUDANTES








Os estudantes que muito se interessam em estudar Vedanta com o Swami Dayananda Sarawasti vêm de várias partes do mundo. Comentaram por alto que havia cerca de mais de vinte e cinco brasileiros por lá; no entanto, a presença de muitos estudantes provindos da Terra do Sol Nascente, ou seja, do Japão, impressionou.








Aquele que se propõe em ir para Índia para participar de um dos Camps, necessariamente é recomendável que tenha uma boa fluência na língua inglesa para compreender os ensinamentos sábios que o Mestre transmite. No entanto, muitos que por lá estão não têm essa fluência. Assim encontramos estudantes divididos nestes grupos:


1- os que têm boa fluência na língua inglesa e boa base de conhecimento sobre Vedanta;


2- os que não têm boa fluência na língua inglesa, mas têm boa base de conhecimento em relação ao Vedanta;


3- os que têm boa fluência na língua inglesa, mas não têm boa base de conhecimento em relação ao Vedanta;


4- os que não têm boa fluência na língua inglesa e não têm boa base de conhecimento em relação ao Vedanta;










Mesmo para aqueles que se enquadram no item 1, o sotaque indiano presente no Inglês que é falado no Subcontinente por vezes pode embaralhar o entendimento sobre o que é dito e principalmente do ensinamento transmitido pelo Mestre. 


Então, se o Swami Dayananda conta uma piada e os indianos riem e você não, isso é um sinal de que os ouvidos não estão acostumados com o Inglês que se fala na Índia. E, adicionado ao jetlag, o cansaço e diferença de horas de um país para o outro, isto contribui para que este desentendimento dure alguns dias até os ouvidos estarem mais treinados.


Para os que se enquadram no item 2, ou seja, não são fluentes em Inglês mas tem uma boa base sobre Vedanta, a solução é ter a sorte de acompanhar uma tradução simultânea que pode estar acontecendo na tela de um notebook de algum outro estudante que se predispõe a anotar o que é dito pelo Mestre ao mesmo tempo em que traduz. Caso contrário ficará boiando durante todo o Camp e o melhor seria se tivesse ficado em casa.


No caso do item 3, se o estudante é fluente no Inglês e não tem a mínima noção sobre Vedanta, mesmo que o sotaque indiano não contribua para um entendimento imediato do que é dito, a mente deste estudante poderá ficar confusa. E, então, melhor seria se tivesse ficado em seu país e estudado Vedanta com um professor ou professora muito qualificado ao invés de se arriscar em participar de um dos Camps. No entanto, a experiência pode ser válida e despertar o interesse deste estudante para um estudo mais centrado.


Agora, para os que estão no item 4, que não têm boa fluência na língua inglesa e nem têm boa base de conhecimento em relação ao Vedanta; estar no Camp pode se tornar muito tedioso e desestimulante. Esses são, na verdade, peixes fora d’água.


Participar de um ou mais Camps sobre Vedanta envolve um certo comprometimento e seriedade por parte dos estudantes; pois, o ambiente e o momento não são propícios ao turismo desenfreado e muito menos a compras excessivas; uma vez que o propósito de estar lá é buscar conhecimento, aprofundar a devoção, meditar. O turismo e as compras podem ficar para uma tarde livre ou para os dias que intervalam um Camp e outro.


Estar num ashram envolve respeito à tradição, às pessoas que lá estão, ao Mestre e ainda discrição; pois não é um lugar onde bebidas, fumo, uso de roupas mínimas, risos e conversação em voz alta se evidenciam.










OS CAMPS



Na tarde anterior do início de cada um dos Camps, os estudantes adentram o auditório do salão principal e logo marcam seus lugares. Seja naquelas cadeiras brancas feitas em PVC ou ainda colocando almofadas ou um pequeno tapete pelo chão que se chama ásana, que pode ser comprado numa das lojas que vendem tecidos em Ram Jhula










Então, uma pessoa que faz parte da organização dos Camps, relê o programa em questão que é colado próximo à porta principal, que consiste basicamente em:




















Das 7:00 às 7:30 horas os estudantes interessados se empenhavam em meditar. A meditação é conduzida por um senhor distinto que sem as luzes estarem acessas instrui para que os presentes se acomodem e os escutem. De início segue a consciência corporal para logo em seguida passarem para o foco no fluxo respiratório e na sensação de toque que o corpo apresenta. Então, palavras são ditas para que os pensamentos sejam observados sem que haja fixação. Noutra oportunidade a observância das emoções que esses pensamentos trazem.  Mais adiante palavras védicas permitem que ocorra reflexão. No entanto, na parte destinada à consciência corporal e relaxamento o condutor da meditação por vezes foi muito rápido, o que poderia ter dispensado alguns minutos a mais. E, assim era a meditação diária.









Comumente das 8:30 às 9:30 horas da manhã acontecia a 1ª aula do Camp. Cerca de dez minutos antes a maioria já estava presente no grande salão cantando mantras que hora era puxado por uma swamini ou por uma estudante que representava a Terra do Sol Nascente.  Então, na maioria das vezes, pontualmente ou com cinco minutinhos de atraso, o Swami Dayananda entrava no ambiente sendo auxiliado por alguns dos presentes.










Um aparato que envolve áudio e até filmagem recebe um toque final e após o Swami se acomodar numa poltrona, mantras iniciais são entoados. Nas segunda e terceira aulas que aconteciam das 11:30 às 12:30 horas e das 17:00 às 18:00 horas, respectivamente, essas ações se repetiam.










Durante os Camps, Two Lifestyles, ou seja, “Dois Estilos de Vida” e Bringing Vedanta into Living, “Trazendo o Vedanta na Vida” o sábio enfatizou através de bons exemplos, estórias e momentos de descontração onde todos riam, que devemos adotar e viver uma vida de Karma Yoga.











Vivemos uma vida onde nos deparamos com diversas situações. Nessas situações agimos e reagimos de acordo com as escolhas que decidimos fazer.


Para fazer essas escolhas devemos estar conscientes das consequencias que carregam os resultados a elas agregados. No entanto, nem sempre isso acontece.











Ter dois estilos de vida e ainda trazer o Vedanta para a vida demanda viver os papéis que nos cabem, de uma forma separada, sem confusão, nas horas e nos lugares certos, deixando aquilo que é externo, externo. E, reconhecer, sobretudo que já somos livres.


Assim, uma vida permeada por meditação e ações construtivas acabam por nos devolver um bom resultado no decorrer da jornada. Então, viver uma vida de Karma Yoga é o que mais vale.










Inúmeras estórias, muitas situações vividas pelo próprio Swami foram narradas por ele durante os Camps. Mantras foram transmitidos e o Swami também cantou. Sua voz agradável pode ser bem comparada a de um excelente locutor. Embora um ou outro aparelho celular tocasse durante as aulas, isso não era empecilho para retirar a atenção das palavras provindas do Mestre.
















Nos dias em que havia bandhara, quando os sadhus de Rishikesh e imediações compareciam ao ashram para receber alimento, ou seja, almoço, o horário da aula de Yoga era remanejado. http://yogaemvoga.blogspot.com.br/2013/03/bandhara-alimentando-os-sadhus.html


Noutras janelas, na parte da tarde, aulas de Sânscrito e Canto Védico também eram oferecidas a quem desejasse.










Após, ao jantar, das 20:00 às 21:00 horas, o Swami Dayananda retornava ao salão principal para o satsang, para responder as perguntas daqueles que as fizeram por escrito durante o dia e as depositaram numa caixa para tanto.


Comumente antes de iniciar o satsang, alguns estudantes se reuniam para um kirtan, o que levava a participação geral dos presentes. Alguns meninos cantores também soltaram a voz.











Nem mesmo o camarada que usava gorro branco e que chamou a atenção de um dos estudantes para que não dormisse durante o ensinamento e que ocupava a cadeira supostamente reservada para um swami, conseguiu dispersar a atenção de quem estava ali com o propósito de adquirir o mais puro conhecimento.
















Ao término de cada Camp, na manhã do último dia, todos os presentes formavam uma fila para reverenciar o Swami, ao mesmo tempo em que deixavam dakshina, uma doação financeira ao Sábio.



TEMPLO E PUJA NO GANGES



O templo do ashram parece que nunca fecha. Localizado num lugar muito estratégico, a poucos metros de uma das margens do Ganges, o nascer, o pôr do Sol, as fases da Lua e as estrelas sempre marcam uma presença inspiradora naqueles que os notam. Comumente às 04:30 hs da manhã vários estudantes já estão acordados e seguem para a beira do rio Ganges para mergulharem. 



















Muitos podem achar isso desafiador e fora de cogitação. No entanto, para aqueles que desejam mergulhar no Ganga esta é a melhor hora, a hora que o rio parece estar mais limpo. Se o estudante se predispor a esse mergulho, numa primeira vez e até mesmo nas outras, o recomendável é ter a boa companhia daquele que já está acostumado a isso e conhece o melhor lugar para o banho.










Mesmo que a água esteja muitíssimo fria aquele que se predispõe a entrar no rio sagrado se sentirá muito bem revigorado e desperto após essa experiência.










Após o banho no Ganga, os devotos secam-se e vão para o templo que já está aberto para receber a todos. O sino é tocado. Das cinco da manhã até seis e meia o sacerdote acompanhado pelos devotos que cantam mantras cultuam o Shiva Lingam e logo após prasada é servida.





















Esta mesma cerimônia se repete das seis às sete da noite, sendo que na maioria das vezes as seis e quarenta e cinco todos seguem até à margem do Ganga para o arati, onde cantam mantras, enquanto o sacerdote evidencia muito o fogo que ascende as luzes dos pequenos barquinhos com flores que os devotos oferecem ao rio em pujas.





A PRÁTICA DE YOGA



A sala para prática de ásanas do Yoga está localizada no prédio ao lado do templo. Sobe-se por uma escada e os estudantes já se encontram num espaço equipado com tapetinhos. Grande, esta sala pode ter a capacidade de receber cerca de cinquenta praticantes para um pouco mais. No entanto, nem todos os participantes dos Camps se predispuseram a participarem das aulas.









Inhale/exhale, inspire/expire dito de uma forma marcante e cantada pelos dedicados professores Devi e Sujit Guha Chowdhury.  A prática foi centrada em movimentos básicos tipo pawana muktásana, exercitando as juntas e posteriormente as costas. Mesmo sendo uma prática básica que pode não ser atrativa para aqueles e aquelas acostumados a maiores desafios, a prática de Yoga com esses professores valeu a pena, contribuindo para absorver algumas dicas simples que na maioria das vezes passam despercebidas.




INDO EMBORA



Voltar para casa após ter participado dos Vedanta Camps com o Swami Dayananda Saraswati também denota certo planejamento e organização. Muitos por terem ficado muito tempo imersos numa aura de conhecimento, devoção e tradição Hindu sentindo-se até condicionados pelos apontamentos do dia a dia, seguindo os horários, podem achar que retornar para a casa é a hora e chega de Índia!


Outros, pelo contrário, gostariam de estender a estadia e ficar para os outros Camps; no entanto, a rotatividade de estudantes é grande e todos precisam ter a sua oportunidade garantida para absorverem o conhecimento na sua mais pura fonte.










No entanto, antes de partir, um dia antes, o estudante poderá ir até o office e deixar a sua doação referente aos dias de hospedagem no dormitório e as refeições, que terá um recibo expedido pelo gerente. Lembrando também, que antes de ir embora o estudante deve devolver a chave do dormitório ao office do ashram e na medida do possível deixar o aposento em ordem.


Para quem vai fazer o trajeto inverso, retornar de Rishikesh via aeroporto de Dehradum para posteriormente em Delhi pegar o voo internacional para o Brasil via Emirados Árabes, esta ação realmente tem que ser bem planejada e visualizada.


O primeiro ponto é ter um táxi ou transfer em horário combinado, preferivelmente horas antes do avião decolar do aeroporto de Dehradun para Delhi. Se a aeronave da SpiceJet vai sair às 11:20 hs da manhã convém deixar Rishikesh no máximo às nove horas da manhã.


A viagem de Rishikesh até ao aeroporto de Dehradum leva meia hora e chegando lá, tem que se mostrar a passagem e passaporte a um militar para que se possa adentrar o saguão do aeroporto.










Dentro do aeroporto, se o check in já estiver aberto, primeiro se passam todas as malas no raio X. Os seguranças etiquetam-nas, bem como os cadeados. Depois o passageiro vai para o balcão da empresa aérea.


O limite de peso da SpiceJet é da 20 quilos, apenas para uma mala. Se passar disso, o estudante terá que pagar 250 rúpias por quilo. No entanto, se o estudante tiver uma conexão internacional e exibir o bilhete, conseguirá um bom desconto.  


Feito o check in, despachada a bagagem, o passageiro passa pela rígida segurança. Aqui uma garrafa de água mineral passa tranquila e não é preciso retirar os sapatos como nos Estados Unidos.


Chegada a hora do embarque, os passageiros pegam um ônibus que leva à aeronave que está a pouca distância. O bombardier levanta vôo e em uma hora já pousa em Delhi.


O desembarque ocorre no terminal doméstico que é novo e eficiente, pois as bagagens logo aparecem. No entanto para se dirigir ao terminal internacional, que é distante deste terminal, os passageiros têm duas opções: pegar um circular gratuito cuja passagem é obtida num balcão externo exibindo o cartão de embarque da SpiceJet ou  pegar um táxi.










A opção ônibus, testada, não é recomendável, pois o circular não é exclusivo do aeroporto, ou seja, é coletivo popular e ainda o ponto é em baixo de um pontilhão. Então, a opção táxi pré-pago é a recomendada.


No terminal internacional o passageiro que chegou muitas horas antes da abertura do check in terá que aguardar num lounge até pelo menos antes de quatro horas de o voo acontecer para então entrar diretamente no saguão principal do aeroporto, mostrando também a passagem e passaporte para o segurança.


A empresa aérea baseada nos Emirados Árabes oferece hospedagem inclusa em hotel fornecido pela própria se o vôo de conexão para o Brasil acontecer no dia seguinte pela manhã, se o voo proveniente da Índia chegou na noite anterior. Então, no check in em Delhi, se o passageiro na reserva e compra da passagem optou por descansar algumas horas num hotel ofertado pela companhia aérea, em Dubai, deverá requerer o voucher da hospedagem no momento do check in em Delhi.


Desembarcando em Dubai, as malas principais não são recolhidas e o passageiro terá que previamente ter reservado uma muda de roupa e etc. Antes de passar pela imigração, o passageiro deverá num balcão bem frontal, em amarelo, mostrar o voucher para logo depois pela direita ir até outro balcão para pegar o visto que está incluso, não havendo a necessidade de pagar por ele. Depois pega-se a fila, uma longa fila à meia noite que parece que não anda. Passado pela imigração o passageiro segue bem ao fundo do grande saguão e depois segue pela esquerda até a última porta de saída onde encontra outro balcão amarelo da empresa aérea. Então aí é que se mostra o voucher e se aguarda o transporte até o hotel que existe para este fim.


Providenciando o check in no hotel Copthorne fornecido pela empresa aérea, pede-se um wake up call, um chamado telefônico para acordar na hora certa no dia seguinte, bem antes do voo para o Brasil sair. Instalando-se neste hotel, tomando um bom banho após três horas de voo de Delhi para Dubai e ainda longa fila na imigração, dorme-se cerca de três horas e meia até quatro para então descer, tomar o excelente café da manhã que deve ter uma mão francesa por trás, retornar para o quarto, fazer o check out e seguir para o aeroporto novamente.


Já com o cartão de embarque que foi fornecido em Delhi, o passageiro aguarda até que o vôo para o Brasil apareça no painel de partidas. Então verifica qual é o terminal e portão e segue para lá, passando por todo o procedimento de segurança e passaporte.


Até chegar ao portão de embarque, muitas lojas aparecem pelo caminho, mas os preços não são convidativos, contrário das lojas do aeroporto de Delhi onde se pode encontrar algumas ofertas.


O voo de retorno com aparência interminável leva cerca de quatorze horas até São Paulo; e, sendo diurno, muitos filmes e jogos estão disponíveis ou a opção de dormir ou ler um bom livro adquirido na Índia.


Muita gente ainda não sabe, mas não é necessário preencher o formulário de declaração de bens da Receita Federal do Brasil, o que ocorre apenas se o passageiro tiver a necessidade de declarar algum bem comprado no exterior que pede o pagamento de tributo.










Desembarcar em seu país após uma temporada na Índia dedicada ao estudo de Vedanta com um Mestre do gabarito do Swami Daynanda deixa saudades e uma nova abertura para um retorno. No entanto, ir para Índia pede muita disposição e vontade para adquirir Conhecimento de uma fonte lídima e Verdadeira.

Harih Om!




3 comentários:

  1. Olá Humberto,
    obrigada pela sua generosidade por compartilhar essas informações!
    Estou organizando a minha viagem e gostaria muito de estar participando de um Camp no Ashram de Swamy Dayananda. Estarei pela India, lá pertinho entre janeiro e março de 2015.
    Vc sabe como faço para me informar ou me increver?
    Grata, Luciana.
    Harih Om!

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    1. Oi, Luciana: Vc tem que se inscrever pelo site do ashram que menciono no artigo, bem no começo. Pelo que vi, as inscrições ainda não estão abertas.Mas, vá verificando. Neste post está tudo mesmo, até o pão com manteiga na chapa que não recomendo. Boa sorte!

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