2 de fevereiro de 2013

VIAJAR PARA ÍNDIA: EM GRUPO OU POR CONTA?



HUMBERTO MENEGHIN


Com a grande oferta de pacotes turísticos que prometem uma jornada inesquecível à Índia, geralmente oferecidos por professores de Yoga, parece inevitável àqueles que alimentam o grande desejo de conhecer in loco o Subcontinente de não embarcarem nessa viagem mesmo com o dólar na casa dos dois reais. O ponto principal para que esse sonho se realize é ter dinheiro além do suficiente para comprar um desses pacotes e ainda reservar algum para gastar na viagem. No entanto, será que viajar para Índia em grupo vale a pena ou por conta sai mais em conta e se aproveita mais?







Belmira T. é praticante de Yoga já há alguns anos e a partir do momento que se aprofundou na prática e seu interesse aumentou pela cultura Hindu, ela e a amiga Cecília A. resolveram ir para a Índia com o grupo do professor de Yoga com quem praticam. Adalberto Z. também fez a mesma opção que as duas amigas e com eles cerca de mais doze pessoas também se interessaram.


Como a maioria dos interessados nesse pacote oferecido pelo professor de Yoga era formada por mulheres, grande parte delas solteiras, separadas ou professoras de Yoga e dois casais, durante a viagem Adalberto não estava tendo ninguém para dividir os quartos dos hotéis para que o gasto com a parte terrestre não ficasse tão alto.


Na primeira reunião daqueles que se interessavam em tornar em realidade a viagem para a Índia, compareceram cerca de vinte pessoas, o professor que estava se predispondo a conduzir o grupo e um representante da agência de viagens que cuidaria de todos os trâmites.








O valor do pacote incluindo aéreo e terrestre girava em torno de treze mil e seiscentos reais, sendo que a parte terrestre de jeito algum poderia ser parcelada. Além disso, alertaram para terem o documento internacional que comprova que o interessado tomou a vacina contra febre amarela e o passaporte com a validade de pelo menos seis meses.


Um Power Point alimentado por imagens dos lugares que visitariam, apresentou o roteiro com a duração de dezessete dias que incluía Nova Delhi, Agra – Taj Mahal, Varanasi, o Rajastão e uma passagem relâmpago por Rishikesh. Após, serviram um coffe break para logo depois retornarem ao que realmente interessava: vender o pacote Índia para todos os presentes naquele espaço.


Folhetos sobre a Índia e o contrato formal foram distribuídos. Em três semanas as pessoas realmente interessadas começaram a dar um sinal de duzentos dólares. Dos vinte esperados, apenas onze haviam se manifestado, contanto com Adalberto que vivia o drama de pagar o adicional da hospedagem single.









Três meses se passaram e necessariamente os vistos foram providenciados, apesar de esse procedimento ser muito burocrático no sentido de até quererem saber qual é a religião do viajante, quais países já visitou nos último dez anos e no caso de retornar novamente ao país, informar o último endereço onde ficou. No entanto, esse requisito, se o viajante esteve lá há alguns anos, pode não ser de fácil recordação.








Enfim, o grupo embarcou para a Índia enfrentando horas e horas de viagem. E, para levar quase um dia todo só de viagem, deve valer muito à pena ir para a Índia!


Adalberto teve mesmo que pagar o adicional single. Os hotéis realmente foram bons esbanjando riqueza em comparação com a pobreza da população. A guia que recepcionou o grupo era brasileira e estava muito inteirada da cultura do país e do jeito indiano de viver. Mostrou-se muito simpática e ofereceu boa assistência durante toda a viagem, inclusive para aqueles que passaram mal e tiveram diarréia. Belmira T. precisou até usar a assistência do Seguro para uma consulta médica durante a viagem e só no retorno é que se sentiu melhor. Mesmo assim, informou que aproveitou bem a viagem.










Sobre a guia, mesmo tendo feito um bom serviço durante toda a viagem, apesar de às vezes ser acompanhada por guias locais, pisou feio na bola com o Adalberto justamente no Aeroporto, quando do retorno.


O caso foi que para adentrar em qualquer aeroporto de Delhi, deve-se mostrar o bilhete aéreo, documento e passar por uma segurança bem rígida o que já envolve raio x das bagagens.



Pois bem, como esse procedimento iria demorar e o grupo havia ido para o aeroporto muitas horas antes do embarque, a guia talvez tenha se esquecido de avisar, se avisou muitos não ouviram, que os passageiros deveriam reservar um pouco de dinheiro indiano para pagarem o uso de uma sala de espera fora do aeroporto onde teriam boa comodidade.









Adalberto disse que não se lembrava dessa informação e que estava sem rúpias suficiente para pagar o conforto da sala. A guia que se mostrara prestativa até então simplesmente rebateu com rispidez para que ele ficasse ali mesmo, ao invés de bancar com gentileza a permanência dele na sala de espera, que se convertido em reais o preço chegaria no máximo a três reais. 



Então, toda a simpatia profissional da guia foi para o ralo naquele exato momento junto com a da operadora que representava; mas, por sorte, Adalberto contou com um dinheiro dado por outra passageira do grupo para poder ficar na sala.











Horas depois, quando do check in, após terem passado pela rígida segurança, várias pessoas do grupo contaram com excesso de bagagem. Adalberto que estava com cerca de quatro quilos a mais, retirou a mala da balança, abriu-a transferindo o excesso para a bagagem de mão, mas nesse momento Cecília A. que havia comprado muito mesmo, inclusive peças de metal, idem para sua amiga Belmira T., decidiu pagar com o cartão de crédito o excesso de bagagem de todos sem ao menos perguntar se queriam que fizesse isso. E, somente após Adalberto ter despachado a sua mala, que ainda estava com um quilo a mais, soube que Cecília A. já havia pago o excesso de quilos para todos.



Pois bem, logo veio a cobrança. Cecília A., informou o que havia feito e prontamente se pôs a cobrar aqueles que tinham excesso de bagagem, que em suas contas cada um deveria lhe ressarcir em setenta dólares. 


A esperta estava literalmente dividindo o pagamento do alto excesso de peso da sua bagagem e da amiga com os demais. Para não discutir, Adalberto pagou cinqüenta dólares e os outros também pagaram o que ela cobrava.










O retorno ao Brasil foi longo e parecia que a viagem nunca mais iria terminar. Na alfândega brasileira por obra de Deus, Cecília A. e Belmira T. foram separadas para averiguação de suas malas. No entanto, ninguém ficou sabendo se pagaram tributos ou não; elas não comentaram com ninguém.



O professor que se predispôs a ciceronear a excursão “não foi uma Brastemp”, mesmo tendo recebido uma boa comissão para levar o grupo em viagem. Alguns esperavam mais no sentido de praticarem ásanas e meditarem em lugares sagrados; mas, isso não aconteceu. No entanto, há muitos professores de Yoga que levam grupos à Índia e cumprem o protocolo a risca, ou seja, ministram aulas de ásanas, contam sobre a cultura e ainda se tocam algum instrumento promovem kirtans.








A vantagem de se viajar num grupo para a Índia é que o roteiro está pronto, tudo já está reservado e pago, com exceção talvez de almoços e jantares. E, para quem não fala Inglês é super conveniente; no entanto, existem alguns guias que não estão nem aí e deixam os passageiros se comunicarem na base da mímica com os indianos e ainda abusam da vontade de certos componentes do grupo para ajudá-los. Além disso, horários devem ser obedecidos e se você quiser ficar mais tempo num lugar que gostou muito, não pode, pois tem que partir com o grupo. Atrasos acontecem, nem todos são britânicos ou confiáveis o que acaba sendo um desrespeito aos demais passageiros da excursão.










Do oposto, ir para Índia por conta própria, com um grupo de amigos ou até só, tem seus pontos positivos como negativos; sendo que para as mulheres, hoje em dia isso não é recomendável devido a evidente falta de segurança. Mesmo assim, há algumas viajantes que se arriscam em ir para Índia sozinhas, o que pede atenção e cuidados triplicados para não caírem numa roubada que pode deixar traumas e causar danos.



Saber falar a língua inglesa se torna essencial para quem deseja ir por conta própria para a Índia, mesmo que o sotaque dos indianos seja incompreensível de vez em quando. 


E se for viajar em companhia de outras pessoas que também querem viajar por conta própria, verifique e repense bem se essas pessoas são legais e de modo algum problemáticas e chatas, pois se não tomar esse cuidado a viagem poderá se tornar um grande estorvo e então o “antes só que mal acompanhado” com certeza irá prevalecer, pois tem que haver uma boa simpatia e mínima amizade e consideração mútuas entre os viajantes.










Então, o primeiro passo para se viajar só para Índia ou num pequeno grupo que assim quer, é saber exatamente quais lugares se pretende visitar e se o numerário que possui é suficiente para cobrir os gastos com o aéreo, hotel, transporte e alimentação.


Consultar e levar um livro-guia de turismo sobre o país pode ajudar bastante, acompanhado de pesquisas pela web o que poderá fornecer sites úteis e interessantes que ajudam o viajante não cair em roubadas num país tão diferente quanto a Índia.


Em relação à parte aérea, o mais indicado é realizar uma pesquisa bem ampla em sites que vendem passagens aéreas e tentar encontrar uma promoção viável. No entanto, às vezes, uma agência de viagens pode ser consultada somente para a compra da passagem aérea, pois seus fornecedores podem apresentar algo vantajoso.


Em relação a Hotéis, com certeza pelo booking ou sites semelhantes o viajante encontrará bons preços e chegará à conclusão que o adicional single que cobraram do Adalberto é uma valor inutilmente gasto e quem sabe desnecessário, que as operadoras insistem em adicionar na ponta do lápis à conta do passageiro.








E, ainda, você faz o seu tempo durante a viagem. Não precisa acordar cedo quando não está a fim, com exceção do dia em que vai pegar um vôo; e então pode ficar mais tempo apreciando aquele Templo que gostou ou passeando pela cidade, mesmo que se deva tomar muito cuidado com o trânsito que corre pelas ruas e estradas da Índia, que tem mão inglesa, e prestar muita atenção antes de atravessar qualquer via, o que é altamente recomendável.


Pode ser que quem viaje para Índia, numa primeira vez, em grupo, numa próxima oportunidade decida ir por conta própria mesmo que a língua inglesa não seja tão fluente assim.









E para aqueles que se aventuram em irem sozinhos, sem vinculo algum a operadoras e agentes de turismo, isso pode se tornar um bom costume. No entanto, nem todo mundo tem esse espírito aventureiro e estar só num avião no meio de estranhos por longas horas e depois chegar num país onde tudo parece diferente, não é algo que muitos apreciem, pois ainda alimentam a insegurança, o medo e o apego excessivo à companhia das pessoas. Para esses, então, viajar com uma pessoa amiga ou em grupo, quem sabe ainda pode ser a melhor pedida

Harih Om!

5 comentários:

  1. Parabéns texto ótimo e Que fotos lindas!!!
    Gostaria de saber se posso usar elas no meu site
    http://www.prakritiyoga.com.br

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    1. A maioria das imagens são da Incredible India, via Google.

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  2. gostaria de saber quanto tempo leva pra ficar pronto um visto para India via correios. meu email é cfnavarro@bol.com.br abraço

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    1. Geralmente uma semana. Mas, veja maiores informações em www.indiaconsulate.org.br

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  3. TUDO TEM SEU LADO POSITIVO E NEGATIVO. Por isso é muito melhor viajr em GRUPO, usando os serviços de uma Operadora que de fato saiva lidar com seus clientes

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