16 de março de 2011

ELES LARGARAM TUDO PELO YOGA



HUMBERTO MENEGHIN


É natural que quando alguém se interessa pela prática e o estudo do Yoga, pense em abandonar tudo, como por exemplo, uma carreira profissional bem sólida para se dedicar exclusivamente ao Yoga. No entanto, antes de tomar esta decisão de suma importância, cabe a quem alimenta esta idéia ponderar sobre os prós e contras desta tomada de decisão.


Ela era uma bem sucedida engenheira de alimentos com um cargo sólido e invejável numa empresa multinacional numa grande cidade do interior paulista. Ganhava muito bem, executiva, quase sem tempo para nada, além do trabalho. Então, com a finalidade de reduzir o estresse começou a praticar Yoga em um espaço da cidade e notou que a sua vida começou a melhorar. 









Ampliando seu conhecimento sobre a filosofia com livros e mais livros que adquiriu em livrarias e em sites pela internet esta praticante cada vez mais se encantava com o Yoga e também o Vedanta. Então, resolveu participar de um curso de formação para professores de Yoga na cidade de São Paulo, pois os que ofereciam na região que morava não eram tão assim profundos no que concerne à filosofia e práticas.








Por cerca de um ano e meio, mais ou menos, continuou em seu cargo como executiva na grande empresa multinacional na área de alimentos já com uma poupança muito boa acerca de investimentos próprios. Tendo concluído o seu curso de formação em Yoga, pediu as contas no trabalho pronta para se dedicar, exclusivamente, a dar aulas de Yoga. Então, como já ministrava aulas em uma academia de ginástica na cidade que morava, por lá continuou, ganhando seus trinta e poucos reais por cada aula.








Conseguiu algumas senhoras, três ou quatro para dar aulas personalizadas em suas casas e à noite também começou a oferecer aulas em um espaço de Yoga da cidade, que apesar de ser conhecido, pagava muito mal os professores.


Paralelamente, começou a participar de vários workshops sobre Yoga e vedanta. o que aumentava demasiadamente as suas despesas. E assim foi esta ex engenheira de alimentos, ministrando aulas de Yoga e se sentindo feliz. 


Notava que seu nível de estresse parecia manter-se o mesmo de quando ainda trabalhava como executiva. Já havia previsto que o seu salário mensal sofreria uma boa queda, mas ainda tinha as economias na poupança para ir se socorrendo... além de que, agora tinha que contribuir mensalmente à previdência social como autônoma, para garantir a sua aposentadoria.


No meio do ano teve uma outra proposta para dar mais duas aulas na semana em um outro espaço que havia acabado de inaugurar em um bairro afastado da cidade. Então, para se deslocar até lá ainda teria que usar seu veículo e gastar gasolina. 


Os novos praticantes adoravam as suas aulas, mas a proprietária do espaço também pagava muito mal, pois insistia em sustentar a premissa que estava pagando de acordo com o “mercado” e se não estivesse contente poderia parar de dar aulas em seu “espaço”.









 Uma idéia surgiu-lhe na cabeça: montar o seu próprio espaço, mas sozinha apesar de ter uma boa economia na poupança, poderia ser arriscado. Então, propôs a duas amigas, também professoras de Yoga, para abrirem uma escola juntas. Ótimo! Encontraram um lugar ideal e montaram a escola.


Algumas alunas que gostavam de suas aulas passaram a praticar em sua seara, mas as sócias do novo espaço não estavam se dando muito bem, o que trazia mais intranqüilidade e tensão.  


Por fim, a engenheira de alimentos, com o saco cheio de tanta desarmonia, resolveu sair da sociedade e continuar dando aulas por conta própria. Sentia que a sua poupança estava diminuindo e que o que ganhava como professora de Yoga não conseguia manter aquele seu padrão de vida anterior. Chegou até se arrepender por ter abandonado a sua carreira bastante promissora como engenheira de alimentos, mas agora já era tarde....










Outro caso aconteceu com um promissor advogado que trabalhava em um grande escritório de advocacia. Ele também, além de se encantar com a prática, após receber um bom dinheiro numa causa, resolveu ir para a Índia estudar. Se dedicou ao Ashtanga Yoga. Foi para Mysore praticou nos lugares certos, rodou mais um pouco pela Europa e Estados Unidos sempre estudando e praticando o Yoga e quando retornou logo teve a sorte de dar aulas em uma conceituada escola da capital paulista que pagava muito bem os professores por cada aula dada.










Cada vez mais se dedicando á prática e ao estudo da filosofia, eu bem percebia que era com paixão, este yogi, abriu um espaço próprio e teve a boa sorte de ser bem sucedido e até hoje faz o que gosta e poderíamos dizer que consegue receber por mês um bom retorno financeiro como professor de Yoga.


Estes dois casos são antagônicos. No primeiro, a engenheira de alimentos muito bem sucedida, com um emprego de executiva numa grande multinacional ao largar a sua carreira promissora e sólida não teve tanta sorte assim como professora de Yoga. 


No segundo caso, aquele do advogado paulistano que também largou tudo para se dedicar ao Yoga, este sim foi bem sucedido e continua até hoje ensinando.













Por que, então, a yogini se deu mal e o yogi se deu bem como professor de Yoga? Talvez a yogini ainda se sentisse insegura, receosa da atitude que tomou ao abandonar sua carreira promissora pelo Yoga, enquanto o yogi que também fez o mesmo se entregou de coração, corpo e alma, confiança e também teve uma boa sorte.


No entanto, se você algum dia pensar em fazer a mesma coisa, ou seja largar a sua carreira promissora e sólida pelo Yoga, vá devagar. Vá aos poucos, não precisa de imediato largar tudo, pois tem gente que larga até a família pelo Yoga, fugindo da responsabilidade como pai ou mãe.


Então, procure conciliar a sua promissora carreira com a também promissora carreira como professor ou professora de Yoga que se inicia, pois hoje em dia para largar um emprego estável por algo que possa ser instável é trocar o certo pelo duvidoso, o que demanda muita reflexão. Prevalece, então, o caminho do meio.

Harih Om!

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